Sabe moço, eu brinco de construir amor nas horas vagas. Crio, recrio, e desequilibro. Um amontoado de coisas tuas, que foram minhas, e por fim se tornaram solidão. Quando você chegar, eu vou saber dizer, essa loucura toda de amar errado. Ou o quanto os meus dedos insistem em te criar dentro de mim. É amor, que me escorre pelos vãos, que se esvai para dentro de uma lacuna impreenchivel desse nós. Essa boca vermelha, que te caça em meio a um vento frio de uma madrugada solitária.
Calma moço, essa brisa toda vai passar. Ela é minha, te mandando dizer no teu ouvido, baixinho, sussurrado: vem!
Quando meus olhos te tomarem, eu vou saber calar todo o meu amor, no teu olhar. Toda essa vaidade de nada servirá, e essa tua mania de ser todo-meu-e-nada-teu vai ecoar, sobre os mares. Tu, que sabes de onde vem, e não sabe se cuidar. Eu te cuido seu moço, te abraço infinito, dentro destes lençóis quando o inverno chegar. E se o caso for, te conto um poema, te faço uma bossa, pra gente se completar. Quando tu chegar, e simplesmente entrar, eu vou deixar que a minha loucura se torne a poética mais sincera, que a minha invenção se perca dentro da tua boca. O vermelho berrante do batom, vai lhe percorrer a nuca, te narrando histórias e as minhas novas rotas. Vou te contar sobre esse mundo, moço. Tão moço, que és meu. Será terno, e único. Dentro do meu vicio de amor. Me percorrerá os poemas, as líricas, a bossa. Te quero por perto, sereno e complacente. Dentro dos meus fragmentos, pequenina, bailarina cheia de poesia. Mulher que é tua, e que se perde dentro dos teus olhos intensos. Te espero, quieta e serelepe. Adormecendo, pequenina, sobre estes lençóis vazios de você.
Sabe moço, quem sabe quando você chegar eu aprenda a dizer te amo. A parar o tempo, e transformar essa nossa dança, em poesia. Emaranhar nos teus cabelos uma vida inteira, cantarolar sob a lua, o brilho das estrelas dentro dos teus olhos. E até te escreverei cartas, só para não perder o costume de te amar dentro de mim.
Te espero moço. Para sermos nós.