Nós não temos mais nada em jogo aqui. Não é mesmo? A inconformidade do presente e os pensamentos dispersos que me continham perante a sua imagem, hoje nada significam além de uma simples útopia, cultivada por estes meus anos tão mal vividos. Não cabe a mim a expectativa de criar novas faces para o sentimentos que imponho aqui. São sentimos novos, tão diferentes daqueles do momento em que lhe conheci. Tão distantes de você e ao mesmo tempo tão confortantes de um passado que já fora bom. Mas, hoje o que me ocupa todos os mililitros do meu torax é aquilo que me toma como representante de palavras que nem sei dizer ao certo quais são, só sei descrever a verdade que talvez não exista, mais que inscisto em acreditar. O caminho é novo, o coração nem tanto, porém, continua cavando e correndo em busca de novos motivos para não deixar de planar.
Mas quem sou eu, para passar por cima destas tuas convicções?
O sentimento que ponho aqui, é o que me escapa entre os dedos, é o sonho não idealizado. Eu tô aqui, me olhando em uma folha de papel em branco, vivendo a angustia de não saber o que dizer muito menos o que sentir. O que descrevo aqui agora é o sentimento que queimo frente as nossas mentiras. Eu tô quebrando muitas convicções aqui, to vivendo o risco de não viver meu próximo romance.
Chega de viver no pretérito imperfeito do passado, é assim que te conjugo hoje. Uma simples pagina de um livro de contos mal escrito. Olhar para trás e ver tantas convicções quebradas, por juras infantis pode ser doloroso. E, é. Descobrir que a pessoa com quem você discorreu poesias, e arquitetou milhares de sonhos não é a certa, pode doer muito mais do que simples adeus. Quando você deixou de ser a pessoa certa? Por que deixaste?
O que conjugo aqui, agora, é o que me percorre as entranhas corroendo os pulmões e alcançando o ponto mais fraco da minha certeza de estar viva.
Mas quem sou eu para dizer o que estas palavras significam? Estou inapta a viver meu próximo capítulo por uma simples incapacidade. Cansei de olhar míope para dentro de mim e descobrir mais uma página em branco, sem roteiros. A frágilidade da vida me deu motivos para tentar.
Talvez se eu abrir mão destes tantos pensamentos de amor que me cercam seja mais suave o caminho a ser percorrido. Que seja doce, a liberdade de ser o que quiser. Assim, sozinha.
E que me seja bem vinda a solidão.
O que deixo agora são as cinzas deste amor irregular e catastrófico. O que resta é saber até que ponto me suporta sustentar o sorriso falsificado que me rasga a face. Até que ponto o amor pode me encontrar novamente. Eu tô aqui, reconstruindo sonhos e convicções, para seguir mais um caminho, livre.